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sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Aliás, Halloween é para católico ou não?

O grande segredo para a resposta dessa pergunta se encontra nas virtudes cardeais da temperança e da prudência


Bem, aqui vai uma reflexão que pode destoar um pouco do que estamos lendo nesses dias em várias mídias católicas no grande mar da internet, à medida que nos aproximamos do final do mês.
Por vários anos morei nos EUA. Li e pesquisei muito sobre esse tema. E, principalmente, vivi na cultura do Halloween.
Não vou entrar aqui em toda a questão histórica, nem do Halloween, que começou com os celtas por volta do ano 2300 AC, nem do Carnaval, que remonta às Bacanalias, nem do Natal, que remonta às Saturnalias romanas.
Sobre o tema, cabe dizer antes de tudo: é bastante controverso mesmo entre autoridades católicas. Por exemplo, enquanto o exorcista, Pe Gabriele Amorth, destaca em sua conta de facebook que o Halloween é “o hosana do diabo”, o bispo australiano, Peter Ingham, comenta que “Halloween é uma oportunidade de aprofundar nosso conhecimento de outro aspecto da nossa fé.” No entanto, chama a atenção que é uma festa que remonta os primórdios do cristianismo. Durante as perseguições romanas, ela foi instaurada sobre a festa pagã dos celtas com a finalidade de substitui-la com uma comemoração dos santos mártires. No século oitavo começou a ser celebrada em Roma e no século seguinte se estendeu a todos os santos e a toda a Igreja.
A frase do Padre Gabriele Amorth é contundente e tem tido muitos ecos no mundo católico. Porém, não nos esqueçamos que essa afirmação é opinião dele, pois a Igreja nunca se pronunciou oficialmente sobre o tema. Se a Igreja se pronunciasse sobre essa festa, também teria que se pronunciar sobre o Carnaval, sobre o Natal, isso só para citar duas festas de muitas outras. São muitas, de fato, as festas cristãs que têm sua origem na tradição cristã para substituir as festas pagãs.
Deve-se tomar cuidado com as afirmações categóricas tanto a favor quanto contra. Católicos podem ou não participar dessas festas. A Igreja, na sua sabedoria, não fala nem que sim nem que não.
Como existem muitos elementos culturais nessa festa, pode-se, para se entender melhor, fazer um paralelo com a festa do Carnaval, tão enraizada na nossa cultura quanto o Halloween nas culturas saxônicas. Fora do Brasil, a imagem genérica do Carnaval é a de uma orgia geral. Culturalmente, porém, o carnaval acontece de muitas maneiras, algumas são de fato como se pensa fora do Brasil, mas a grande maioria são festas para se dançar músicas típicas e brincar, se resumindo numa festa de alegria.
Assim, pode-se dizer que o Halloween não é em si uma festa satânica, como enfatizam alguns artigos comuns nesses dias, mas uma festa que alguns fizeram satânica. Assim como o carnaval não é em si uma orgia, ainda que alguns a fazem. Tudo depende, no meu modesto parecer, de como se participa e onde se participa. Existem exageros, é verdade, mas também existem exageros na comida, no esporte, na dieta… e nem por isso deixamos de comer, ou de fazer esporte, ou ainda de fazer dieta.
O grande segredo para a resposta dessa pergunta se encontra nas virtudes cardeais da temperança e da prudência. A Igreja não enfatiza o vício, mas incentiva à virtude. Por isso, cabe a cada um decidir por si com a devida maturidade e diante de sua consciência. Aos pais cabe decidirem por seus filhos pequenos, e conversar com eles sobre a história das festas, lembrando que além das remotas festas pagãs elas também assumiram raízes cristãs e, aí, dar o enfoque que a família tem e, se possível e conveniente, os motivos do mesmo.
Quando lemos artigos, ou ouvimos pregações, seja de quem for, temos que buscar o que a Igreja diz, para com isso crescer cada vez mais no conhecimento da fé. Coloquemos em nossas orações todos aqueles que fazem celebrações satânicas neste e em outros dias do ano, para que Deus tenha misericórdia de cada um e os conduza ao caminho da única Verdade que liberta.

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